Como comentado no último artigo (https://www.linkedin.com/pulse/o-bim-e-sua-consequ%C3%AAncia-para-constru%C3%A7%C3%A3o-paulo-henrique-klein/), a adoção da metodologia BIM será gradual porém inevitável, e o governo brasileiro pretende tornar obrigatória a sua utilização para projetos públicos (licitações) a partir do ano de 2021 (Estratégia BIM Br). Juntamente com essa mudança, surgirão novas demandas e requisitos para os players envolvidos no projeto. 

 

Mas o que vai mudar? Bom, nesse novo processo, quando em um nível avançado de maturidade na metodologia, os projetistas irão desenvolver os modelos autorais em seus respectivos softwares (Revit, ArchiCAD, TQS, Eberick, Qi Builder, DDS, CYPECAD, entre outros), inserindo informações de acordo com as necessidades do cliente (construtor, incorporador, investidor, etc), estas descritas em um Plano de Execução. Esses requisitos serão uma combinação de necessidades de padronização do modelo federado (união de todos os modelos autorais), com demandas das etapas posteriores de utilização do modelo, sejam elas parâmetros ou estratégias de construção virtual.

 

E como será a comunicação? Em um cenário ideal, periodicamente os projetistas irão fornecer modelos IFC’s (esquema, formato “universal” de troca de informações entre modelos BIM) para serem submetidos a um controle de qualidade, aumentando a assertividade do posterior objetivo do modelo. O responsável pela gestão do modelo federado, o coordenador de projetos, realizará processos de verificação da informação contida, buscando inconsistências físicas e normativas entre elementos (objetos, ambientes, etc), e de requisitos de informação, como alimentação de um determinado parâmetro. Para isso, o mesmo utilizará softwares de gestão da informação (Solibri, Navisworks, Tekla BIMsight, entre outros), que checam computacionalmente regras estabelecidas e possibilitam uma comunicação com os softwares de projeto através de arquivos BCF, estes contendo informações de texto e imagens sobre as situações a serem reportadas. 

 

Mas atualmente não existe um coordenador de projetos? Sim, ele existe. Geralmente o papel é realizado por uma responsável da construtora, pelo arquiteto, ou terceirizado, porém, devido ao método ser desvinculado e pouco colaborativo, com informações sendo trocadas por e-mails e em atualizações de projetos 2D, a gestão dos projetos é prejudicada pois não há uma centralização de informações e uma cultura de regras claras para interação entre os envolvidos. 

 

Já com o uso do BIM, o papel do coordenador é essencial, pois há uma aumento considerável no fluxo de informações entre os agentes. Inicialmente, esse processo aparentando ser complexo e necessita uma interação grande entre os players, preferencialmente nas etapas iniciais de concepção, mas essa interação e antecipação de cenários possibilita alguns benefícios. Dentre eles, haverá a redução de retrabalhos, pois os projetistas irão desenvolver seus modelos tendo como referência representações tridimensionais das demais disciplinas, além de premissas gerais de colaboração, um ganho de qualidade final de projeto, pois o processo colaborativo possibilita uma incorporação da realidade construtiva no modelo, além de permitir uma a troca de conhecimentos e experiência dos envolvidos, que acompanham o desenvolvimento da construção virtual, e um ganho de produtividade (redução de até 20% no tempo, segundo texto do governo) na elaboração dos projetos, pois ao produzir um modelo BIM, está se criando um banco de dados da construção, e consequentemente toda informação nele inserida torna-se reutilizável (templates) nos demais projetos, permitindo uma maior agilidade, por exemplo, na documentação final.

 

Então sim, haverá mudanças no processo de projeto. Os projetistas não mais entrarão no fluxo para apenas realizar seus trabalhos de maneira linear (arquitetura – estrutura – instalações), mas sim participando ativamente das tomadas de decisão, influenciando os demais players a colaborar e desenvolver um produto final compatível e otimizado. E o coordenador será responsável por realizar essa conexão entre os projetistas, o(s) engenheiro(s) da obra, o planejador, o orçamentista e os demais envolvidos no empreendimento. Logo, pode-se esperar que essa função seja cada vez mais valorizada e requisitada no mercado, pois irá proporcionar ganhos significativos de produtividade e transparência no desenvolvimento de projetos.

 

 

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