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“Com o BIM, o quantitativo é automático”. Quem nunca escutou alguém afirmando isso sobre o levantamento de informações dos modelos?

Quem trabalha com projetos de edificações em BIM já se deparou algumas vezes com essa situação. Seja por inocência, entusiasmo ou negligência, criam-se cenários que explicam, de forma rasa, os processos necessários para elaborar uma projeção de custos com modelos BIM. E, para quem ainda não trabalha com o tema, vamos analisar o que acontece quando usamos a informação de modelos BIM, sem um processo adequado de criação, verificação e utilização dessas informações.

Confiabilidade. Você confia nos quantitativos que vem dos seus projetos? Esse é um ponto primordial para usar as informações, seja para contratar serviços ou para comprar materiais da sua obra. 

Em um cenário hipotético onde após a obra sobram pastilhas e demais cerâmicas, como você reagiria a situação? Aqui entram algumas reflexões:

  1. A modelagem dos projetos BIM não conversava com a obra?
  2. Erro ao alimentar as tabelas do excel?
  3. Falta de definição de espaços onde seriam executados os revestimentos?
  4. Os softwares falharam nas somatórias?

Com base na experiência da Otus Engenharia gerenciamento projetos, posso afirmar que na maioria dos casos as alternativas 01, 02 e 03 são as principais responsáveis por desvios no orçamento de obras por quantitativos de projetos. Em alguns casos, o arquiteto modelou as paredes dos banheiros com a cerâmica em 20 cm acima do forro, inclusive  sobrepondo a laje de concreto acima. Em outras situações, considerou-se pintura em regiões onde optou-se por cerâmica, e em outros foi desconsiderado revestimento onde, na obra, foi revestido com pastilha.

Estes exemplos deixam claro a necessidade da verificação das informações que embasam a gestão de custos de uma obra. Quais são os possíveis impactos dos quantitativos “errados” na formação do orçamento?

  • Estimativas de custos de construção imprecisas: Aumenta o risco do investimento;
  • Problemas com medições de empreiteiros e outros serviços;
  • Desperdício de tempo no de levantamento manual

Erros de quantitativos podem custar caro na obra!

Em construtoras e incorporadoras onde se tem a iniciativa de trabalhar com a metodologia BIM, alguns pontos precisam ser compreendidos antes de definir o orçamento como um dos objetivos dos modelos BIM. O primeiro ponto é a própria definição de BIM como metodologia, que por si só não é um produto que pode ser comercializado a preço fechado, e usado instantaneamente para os seus fins específicos. Em resumo, não  é possível comprar um processo, mas sim implementar ele no meu gerenciamento de projetos.

O segundo, de forma bem auto-explicativa, as construtoras devem saber o que pedir de informação nos seus projetos BIM para usar no orçamento. William Deming possui uma citação que usamos como valor aqui na Otus Engenharia e se aplica a tudo!

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia

Nós precisamos inicialmente entender quais os objetivos e demandas do empreendimento, desde a questão imobiliária até a produção em canteiro, para definir quais são as informações necessárias para atingir esses objetivos. Um ótimo exemplo é em edificações residenciais de alto padrão, onde você deve pontuar ao projetista de arquitetura a necessidade da modelagem dos elementos de soleiras apenas nas portas de áreas comuns e de entrada dos apartamentos. Além disso, é possível solicitar essa informação segmentada por apartamento e por ambiente, de modo a permitir estimativas precisas na precificação da personalização de um apartamento de um cliente.

Mas como definimos essas informações e como pedimos isso aos fornecedores? Existem alguns mecanismos que determinam isso, como o processo de projeto (como o modelo se desenvolve) e o RIE (Requisitos de informações dos elementos).

O (RIE) estabelece o que deve ser inserido de informação em cada elemento do modelo, por fase. Para a quantificação, primeiramente precisamos olhar para a EAP do empreendimento, ou seja, estruturar os serviços da obra a partir das definições do projeto e das técnicas construtivas. Nem sempre (quase nunca) nós temos todas as definições de técnicas construtivas e/ou materiais em fase de projeto, mas não fique “travado” por isso, categorize os possíveis serviços que ainda não tem definição clara e solicite uma informação de forma mais generalista. Como no caso dos acabamentos, você não precisa saber se o piso vai ser porcelanato ou vinílico, para solicitar que a informação venha segmentada em pavimento, apartamento e ambientes. É importante salientar que isso precisa estar alinhado com o nível de controle de cada empresa, não existindo uma “receita de bolo”. Então, se você controla por pavimento, essa é a maneira que as informações precisam ser segmentadas.

Com as informações definidas, e alinhadas em contrato com os fornecedores, nós precisamos medir a conformidade delas. Ou seja, verificar as informações, em ciclos de validação, para garantir que elas estejam de acordo com os requisitos e definições da obra. E claro, se em desconformidade, reportamos aos responsáveis para ajustes, não alterando “na mão” o modelo autoral.

Mas como verificar a qualidade dessa informação?

Aqui alguns exemplos:

  • Está tudo modelado no pavimento certo?
  • As paredes externas estão com as espessuras de revestimento corretas?
  • Não tenho elementos duplicados?
  • Os acabamentos estão modelados com a informação de qual apartamento ele está posicionado? (se você controla por unidade)
  • Os elementos de granito permitem levantar metro linear e espessura?

Essas verificações podem ser estruturadas, inicialmente, de forma simplificada em checklists de coordenação a cada entrega dos modelos BIM. Dessa forma, podemos utilizar alguns softwares BIM de coordenação e quantificação, como o Navisworks ou Solibri, que nos permite realizar as verificações por meio de code checking, clash detective e as análises visuais dos elementos no modelo BIM federado. Através destes processos, garantimos uma informação de qualidade e que “conversa” com as necessidades específicas de cada obra.

Após toda essa estruturação, com um método claro de criar e verificar (antes de usar as informações), quais as ações necessárias para integrar os quantitativos dos meus projetos BIM com o orçamento?

Nesta etapa podemos ressaltar que você não precisa esperar o projeto executivo estar 100% resolvido para tirar os quantitativos e orçar a obra. Você pode extrair e usar essas informações desde o estudo de viabilidade do terreno (Desde que seja feito em BIM! Archicad e Revit, por exemplo, permitem essas análises), ao estudo preliminar e projeto básico, ainda podendo trabalhar com orçamentos paramétricos, com quantitativos ainda mais confiáveis que em 2D.

Por fim, chegamos ao momento de usar essa informação de quantitativos para associar as cotações de serviços para orçar a obra. Nesta fase, garantimos uma informação confiável e segmentada as nossas necessidades. Desta forma, existem hoje algumas maneiras de se fazer isso:

  • Importação/Exportação por planilhas em ferramentas de quantificação BIM;
  • Ferramentas de orçamentação BIM;
  • Plugins em softwares de modelagem.

O primeiro método consiste em importar a estrutura de orçamento para o software de coordenação e quantificação. Feito isso, através de ferramenta de seleção por parâmetros, nós associamos os elementos aos serviços especificados, rastreáveis pelos seus respectivos códigos de EAP. Finalizada a associação, os quantitativos são exportados em formatos de dados (“.csv”, “.xls”) e associados, através de fórmulas simples no Excel com as funções “ÍNDICE” e “CORRESP”, permitindo que todos os serviços do orçamento tenham um quantitativo associado. No caso de empresas que utilizam um ERP, como o Sienge, basta importar a planilha atualizada de volta e o orçamento terá todos os quantitativos levantados do modelo. Quando o(s) projeto (s) forem atualizados, basta refazer o processo de exportação/importação (após as verificações, lembrem-se sempre disso) e obter a informação atualizada, em um intervalo de poucos minutos.

Pode ser considerado “manual” se comparado aos outros dois da sequência, mas pode ser a opção mais acessível financeiramente para a maioria do mercado, visto que o construtor (Ou o coordenador de projetos) pode coordenar e quantificar os projetos em um software só, como o Navisworks, o Solibri ou o UsBIM, sem precisar adquirir uma ferramenta específica para orçamentação BIM. Além de ser um modo openBIM de realizar uma associação, não ficando restrito a nenhuma ferramenta em específico.

No segundo método, nós utilizamos direto uma ferramenta BIM 5D, que permite a criação do orçamento lá. Para tal, o modelo ainda deve ser verificado antes de associar os serviços aos elementos. Temos alguns softwares que atendem hoje essa função, como o QiVisus, o Rubk e o Vicco, sendo este último um software que permite a coordenação, mas tem valores muito acima da cotação dos primeiros. Esse método gera inúmeras discussões quanto a sua viabilidade, pois empresas que já possuem um ERP implantado, precisam reavaliar ou encontrar maneiras de integrar o orçamento feito nessas ferramentas para dentro do ERP, onde ela controla as áreas.

Por fim, através de plugins nos softwares de modelagem, como o Módulo BIM Sienge (este com integração direta com o ERP Sienge) e o OrçaFascio, podemos associar os elementos diretamente no orçamento pela API do plugin. Esse método tem bastante potencial quando chegar aos softwares de coordenação BIM, mas hoje ainda trabalham em formato proprietário em software de modelagem e, considerando colaboração BIM através do formato aberto (IFC), é necessário que modelos de BIM de outros softwares ainda precisem ser convertidos e/ou ajustados para realizar o processo, reduzindo a eficiência.

De uma maneira geral, o mais importante não é necessariamente o método e/ou qual ferramenta de quantificação você vai utilizar para orçar e projetar os custos da obra, mas se as informações dos modelos BIM são confiáveis e adequadas a sua realidade de obra. E quem vai saber pontuar isso é quem investe no produto imobiliário, que dimensiona os projetos e quem vai construir a obra, deixando explícita a necessidade do gerenciamento destas informações de forma estruturada.

Independente do “como” isso será realizado, o fundamental é criar um processo que funcione para sua empresa e, acima de tudo, seja replicável, para que as estimativas de custos sejam geradas em etapas iniciais de definição do produto, aumentando as chances de sucesso do empreendimento.

E agora, o que você pensa sobre os quantitativos automáticos?

Se você tem qualquer dúvida quanto a como criar esses processos e garantir a quantificação correta do seu empreendimento, entre em contato com a Otus Engenharia por nossas redes sociais que conseguimos te ajudar!

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