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Temas abordados: BIM, Projetos para a produção, Simulação do planejamento de obras (4D), Controle de planejamento e  Nuvem de pontos

No último artigo desenvolvido (https://www.linkedin.com/pulse/mudanças-processo-de-projeto-bim-e-importância-do-klein/), fora apresentado as mudanças no processo de projeto BIM e a importância do papel do coordenador. Após toda a discussão sobre a construção virtual do modelo da edificação e sobre a colaboração no processo de projeto BIM, podemos chegar a alguns questionamentos: Finalizado o projeto em BIM, como ele chega à obra? Qual a melhor maneira de transmitir toda essa informação gerada de uma forma otimizada no canteiro de obras? Este artigo tem o objetivo de elucidar essas questões e direcionar ações para a utilização do BIM na obra.

Atualmente no Brasil, como o processo de utilização da metodologia BIM para edificações  ainda é muito restrito a escritórios de projeto, surgem questionamentos de quais seriam as formas mais eficientes de retratar o modelo BIM no canteiro de obras, de modo a obter resultados significativos na grandeza do detalhamento geométrico, e de informação, que esse protótipo virtual da construção carrega. Dessa forma, o Plano de Execução BIM (BIM Execution Plan – B.E.P.) de uma edificação (A ser construída ou reformada),  documento elaborado anteriormente ao desenvolvimento dos projetos das disciplinas para orientar o processo de construção virtual, deve contemplar informações e direcionamentos sobre utilização desse protótipo de construção virtual no canteiro de obras.

 

Dito isso, apresento algumas estratégias que podem auxiliar na obtenção de resultados na utilização do modelo BIM no canteiro de obras, como a elaboração de projetos para a produção, a partir de vistas e documentação focadas para cada atividade, controle do planejamento via fichas de produção aliadas a simulação 4D,  aplicativos com técnicas de realidade aumentada e/ou virtual, plataformas de gestão de documentação de projeto e vistas do modelo, para utilização remota em obra e, até mesmo, a utilização de uma nuvem de pontos gerada a partir do escaneamento a laser da edificação.

 

O processo de projeto BIM, inicialmente, deve definir quais são os objetivos aos quais o contratante quer atingir com a construção virtual da edificação, citando desde os mais simplificados, como a compatibilização entre os projetos dos sistemas da edificação e o levantamento de quantitativos, até os mais específicos, como simulações energéticas com foco no desempenho da edificação ou, até mesmo, a elaboração de projetos para produção em obra, que auxiliam na montagem/execução de elementos das mais variadas atividades de construção de uma edificação. 

Os projetos para a produção, por conceito, são voltados para a definição (em projeto) da seqüências e métodos de execução de determinadas etapas críticas da obra, como forma de se ampliar o desempenho na produção dessas etapas (MELHADO e FABRÍCIO, 1998). Esses projetos para a produção, utilizando a metodologia BIM, são uma forma de facilitar a visualização da produção das atividades construtivas em obra, visto que são detalhados a partir do modelo BIM.

 

O projetos para a produção em obra gerados a partir do modelo BIM, podem auxiliar diversas atividades construtivas em obra, como a locação de passagens verticais e horizontais na estrutura da edificação, antes da concretagem, a locação das fiadas de alvenaria por tipologia, o detalhamento da montagem por peça da estrutura metálica de uma cobertura e, até mesmo, a montagem por etapa e por ordem de elementos pré-moldados. Em suma, esses projetos são elaborados com forma de otimizar a produção das atividades necessárias para a construção de um edificação, buscando reduzir a quantidades de erros de projeto, aumentar a produtividade da mão-de-obra, reduzir os desperdícios e dar uma clara visão espacial do que necessita ser executado em determinada atividade.

 

No caso da utilização da simulação 4D, que consiste na análise do modelo 3D da edificação aliado ao tempo, por meio do cronograma base de execução das atividades, é possível obter um controle mais assertivo das etapas construtivas por meio de fichas de controle de produção, as quais englobam, além da simulação visual das atividades, informações de quantitativos de materiais necessários, prazos de execução, quantidade de mão-de-obra e custos. Mas se engana quem pensa que todo esse material  é “gerado de forma automática” nos softwares BIM. Tanto por trás dos projetos para a produção, quanto das fichas de controle de produção, é exigida a alocação de algumas horas para definição de estratégias e elaboração do material, que devem estar alinhadas com os interesses e métodos construtivos dos financiadores da construção.

 

Existem alguns aplicativos que facilitam a utilização e gestão do modelo BIM em obra, como o software Auge app, que utiliza técnicas de realidade aumentada em busca de maior assertividade entre o que fora projetado e o que foi realmente executado em obra. No caso de gestão de pranchas de projetos e vistas do modelo, tem um software chamado Dalux Viewer, que pode ser utilizado remotamente e pode facilitar a visualização do protótipo da edificação no canteiro de obra, sem necessariamente utilizar um computador ou notebook.

 

Além dessas estratégias, a indústria 4.0 é realidade hoje no mundo e nos possibilita tecnologia de ponta para o controle de obras, como a utilização do escaneamento a laser da edificação. Esse serviço é incorporado ao controle de obras por meio da utilização de uma varredura periódica do canteiro de obras com o escaner a laser, que gera uma nuvem de pontos que representa fielmente a geometria dos elementos que estão executados no canteiro até o momento, possibilitando que isso seja comparado com o modelo BIM e verificado se a execução está a seguir o que fora projetado. Essa forma de trabalho, apesar de muito assertiva, ainda está distante da realidade brasileira devido aos altos custos de aquisição dos equipamentos de escaneamento. Em Santa Catarina, tivemos alguma iniciativas do Laboratório de BIM (LABIM-SC) na utilização dessa tecnologia, por meio do projeto de levantamento da construção do CRAS-Biguaçu (Centro de Referência de Assistência Social) para o mapeamento de divergências construtivas com os projetos e elaboração do As Built.

 

Conclui-se que, por mais detalhado que seja a modelagem e o desenvolvimento de um modelo BIM, ainda não está sendo explorado ao máximo em casos ele não está sendo utilizado de forma a gerar valor no canteiro de obras. Hoje muito se fala se na possibilidade de utilização BIM como solução para inúmeros problemas de gestão e de execução de obras, mas pouco se especifica qual a principal forma de alcançar esses benefícios e, ainda,  como o protótipo virtual da edificação pode gerar valor, sendo o principal direcionamento para as etapas construtivas. Logo,segundo o provérbio “O que não se mede não se gerencia”, é necessário medir o resultados no canteiro de obras para embasar todo o processo de gerenciamento da execução da edificação a partir do modelo BIM, buscando quantificar e qualificar os resultados gerados.

 

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